
Destemidos e Perigosos
Acho que passei tempo demais pensando no que escrever nessa carta e acabei esquecendo de escrever, perdoem o escritor… Enfim, revendo alguns textos e relendo a primeira carta, me veio um insight que eu queria compartilhar com você.
Na primeira carta, citei o livro “Coração Selvagem” atrelado ao fato de Adão ter sido criado em um terreno selvagem, fora do jardim, um terreno indomável, e depois colocado no jardim, diferente de Eva, que foi criada NO jardim…
Pensar nessa essência selvagem vem algumas coisas na minha mente, acho que já cheguei a escrever algo da minha última ida ao zoológico e feito essa ligação, mas, como perdi o texto, é válido escrever esses pensamentos de novo e compartilhar.
Sempre que vou lá, por mais que tenham muitos animais legais, tem sempre aqueles que são parada obrigatória, curiosamente, são os considerados mais Perigosos quando encontrados na natureza, no caso, o serpentário (que é bem legal e você ainda consegue ver algumas cobras em atividade, se movendo e tals) e o ponto alto de toda ida, os grandes felinos, afinal, quem nunca quis ir até os cercados dos tigres, onças e Leões?
E esse último, geralmente é o que mais fico animado de ver, afinal, é o mais perigoso, aquele que se não fosse as paredes altas e as grades, poderia facilmente te fazer em pedaços em questão de segundos, mas, não sei se foi só eu que parei para reparar, o Leão que vemos na TV, nas histórias, que é perigoso, selvagem, destemido… é diferente daquele que está na sua frente quando você olha para aquele cercado.
Raras são as vezes que você o encontra caminhando pelo cercado, acordado, atento ao que está acontecendo… parece que aquela selvageria toda foi tão reprimida pelas cercas, pela alimentação cronometrada, pela rotina e mesmice que o mais forte dos animais, ficou manso, domesticado. E isso me faz pensar bastante no mundo de hoje, em Deus e em nós, homens (e mulheres que sei que estão lendo isso… mas entenda que o foco da vanguarda, são os irmãos, então, não se sintam excluídas se o texto estiver mais voltado para o universo masculino, tudo aqui, como deixei obvio desde o inicio, é valido para vocês também)
Quantas vezes vemos igrejas que dizem seguir a Cristo, mas seguem uma versão domesticada do Leão de judá? Querem mais do espírito mas, aparam as garras do leão, afinal, é perigoso demais e pode acabar nos ferindo…
Isso me traz a memória uma cena bem específica de As Crônicas de Nárnia, representaram isso no filme, mas, não com a mesma profundidade do livro, então, me permita pegar um pouco a parte literária que não foi ao cinema, preciso dar o contexto:
Eustáquio, primo dos irmãos pevensie, estava preso na forma de um dragão, e percebe que estava longe de ser humano, estava isolado, sozinho…
Tendo compaixão do menino, Aslam, o grande leão, chega e conduz o dragão Eustáquio a um jardim no alto da montanha e, depois, a uma nascente no meio do jardim.
Eustáquio olha para a nascente e percebe que se ele pudesse simplesmente entrar na água, a dor iria passar. Mas Aslam diz que ele precisará ser despido primeiro. Eustáquio lembrou que era um dragão, e que dragões têm peles como cobras, que podiam ser rasgadas. Com suas garras afiadas, ele começa a rasgar sua pele de dragão. Ele descama uma camada somente para descobrir outra ainda mais escamosa e dura por debaixo. E depois outra. Depois de três camadas, ele percebe que todo o esforço sozinho, é perda de tempo – ele nunca retornaria, nunca mudaria aquela situação sozinho. E então a resposta veio
“Eu tiro a sua pele”, diz Aslam, o Leão.
Eustáquio estava tão desesperado que até mesmo o seu medo das patas de Aslam não foi suficiente para impedi-lo de deitar de costas. Deitado ansioso no chão, eis como Eustáquio se sentiu.
Quando as garras cravaram pela primeira vez, foi tão profunda que julguei ter atingido o meu coração. […]
Entendeu aqui o ponto? O que poderia nos mudar, arrancar toda a pele que nos transforma em algo que não somos, que poderia arrancar o mais enraizado dos nossos pecados… nós simplesmente cortamos fora. Cortamos as unhas do Leão, para que não possa nos ferir, mas esquecemos que é através disso que somos curados.
E da mesma forma que a “igreja” tem tentado domar, domesticar Cristo (Entre aspas sim porque a verdadeira igreja ainda está ai, buscando realmente, anunciando a verdade, anunciando Cristo de verdade, como um exército, levantando bandeiras e enraizado na eternidade). O mundo hoje, tenta domesticar os filhotes do Leão, domesticar aquilo que desde a criação, é selvagem, destemido…
Todos buscam responder a questão: Tenho mesmo o que é necessário? Sou mesmo o que Deus fez para ser? Mas, cortamos fora as garras, aparamos os pontos que machucariam, afinal, tudo o que é selvagem, machuca, nunca é bom, certo?
ERRADO!
Se Deus fez Adão de uma terra selvagem e o colocou no jardim, ele era naturalmente selvagem, Deus o fez assim, e tudo que Deus faz é bom, a bíblia mesmo nos afirma, diante de toda a criação, Deus exclama: É BOM…
E diante da criação do homem, Deus diz: É MUITO BOM!
Temos que voltar a origem, afinal, Deus disse que é bom, e nós, pra nos encaixar em um padrão que não foi estabelecido pelo nosso Senhor, acabamos perdendo.
Como Lewis escreveu sabiamente em Nárnia:
Não gosta que o prendam… e, naturalmente, há outros países que o preocupam. Mas não faz mal. Ele virá muitas vezes. O importante é não o pressionar, porque, como sabem, ele é selvagem. Não se trata de um leão domesticado, mas Ele é bom.
Selvagem e bom, é uma perfeita definição para Deus, e porque não seria para nós, seus filhos? Talvez a resposta que o mundo precisa, venha quando nós, homens de Deus, servos do Senhor, assumirmos nossa posição, nossa identidade, dada por Deus desde o princípio. Selvagens, mas, bons. Perigosos, mas, bons. Afinal, somos imagem e semelhança de um Deus selvagem, bom, e que se revela a seus filhos e revela a eles quem eles são nele!
Talvez seja a hora de deixar a segurança de lado e ser quem Deus te criou desde sempre para ser: SELVAGEM, DESTEMIDO, PERIGOSO… mas BOM.
De seu irmão de armas e companheiro nas trincheiras
L. KELLER









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